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Fonte: http://macmais.com.br

 

Mas nenhum obituário foi mais esclarecedor do que o que a irmã dele disse nas páginas de opinião do The New York Times. Nele, ela fala um pouco da figura humana dele. Pensando que não teríamos um ecossistema tão rico e fascinante como o Android sem que houvesse um Steve Jobs no mundo (ou talvez tivéssemos mas talvez não fosse tão bom assim) e, arriscando receber alguns comentários me criticando, faço a tradução livre do texto que pode ser encontrado aqui.

“Eu cresci como filha única, com uma mãe solteira. Como nós éramos pobres e porque meu pai emigrou da Siria, eu imagina que ele se parecia com o Omar Sharif. Eu tinha a esperança que ele fosse rico e bondoso e que entrasse em nossas vidas (e em nosso apartamento não tão bem mobiliado assim) e nos ajudasse. Mas, depois que conheci meu pai, eu tentei acreditar que ele mudaria seu número e nos deixaria sem nenhum endereço pois ele seria um revolucionário idealístico que pensava em um novo mundo para as pessoas árabes.

Mesmo como uma feminista, por toda a minha vida eu fiquei esperando por um homem para amar e que pudesse me amar. Por décadas eu pensei que esse homem seria meu pai. Quando eu tinha 25 anos eu conheci esse homem e ele era o meu irmão.

Nessa época em morava em Nova Iorque, onde eu estava tentando escrever meu primeiro livro. Eu tinha um trabalho em uma pequena revista em um escritório do tamanho de um closet, com três outros aspirantes a escritor. Quando um dia um advogado me chamou – logo eu, uma garota de classe média da Califórnia que tentava fazê-lo nos pagar um plano de saúde – e que disse que seu cliente era rico e famoso e que era meu irmão há tempos perdido, os jovens editores ficaram loucos. Isso foi em 1985 e nós trabalhávamos em uma revista de ponta sobre literatura, mas eu me achei dentro de um livro de Dickens e, bem, nós sempre amamos o melhor. O advogado se recusou a me dizer qual era o nome do meu irmão e meus colegas logo começaram a fazer apostas. O candidato que liderava: Jonh Travolta. Eu secretamente esperava que fosse alguém descendente de Henry James – alguém mais talentoso que eu, alguém brilhante.

Quando conheci Steve, ele era um cara da minha idade e que usava jeans, parecido com árabe ou judeu e mais bonito que Omar Sharif.

Nós fizemos uma longa caminhada – algo que ambos gostávamos de fazer. Eu não lembro muito do que dissemos um ao outro no primeiro dia mas eu senti nele alguém que eu poderia pegar para ser um amigo. Ele explicou que trabalhava com computadores.

Eu não sabia muito sobre computadores. Eu ainda trabalhava com uma máquina de escrever Olivetti.

Eu disse ao Steve que eu estava considerando a minha primeira compra de um computador: algo chamado Cromemco.

Steve me disse que seria uma boa coisa esperar um pouco. Ele disse que estava fazendo algo que seria insanamente lindo.

Eu quero dizer algumas coisas que eu aprendi com o Steve durante três períodos distintos dentro dos 27 anos que o conheci. Esses não são períodos de anos mas estados do ser ele mesmo. Sua vida inteira. Sua doença. Ele morrendo.

Steve trabalhou duro no que ele amava. Ele trabalho muito duro. Todos os dias.

Isso é incrivelmente simples mas verdadeiro.

Ele era o oposto de uma mente ausente.

Ele nunca ficava embarassado em trabalhar duro, mesmo que os resultados fossem falhas. Se alguém tão inteligente quanto Steve não tinha vergonha de admitir a tentativa, então eu talvez não devesse ter também vergonha.

Quando ele foi expulso da Apple, as coisas ficaram doloridas. Ele me disse de um jantar nos quais 500 lideres foram convidados a se encontrar com o então presidente. Steve não foi convidado.

Mesmo machucado, ele foi trabalhar todos os dias na Next. Todo santo dia.

Novidade não era o seu maior valor. Beleza sim.

Para um inovador, Steve era leal. Se ele gostava de uma camisa, ele pediria 10 ou 100 delas! Na casa dele em Palo Alto existem provavelmente camisas gola rolê suficientes para todos em sua Igreja.

Ele não favorecia tendências. Ele gostava de pessoas de sua idade.

Sua filosofia e estética me lembra de algo que ele gostava de dizer: ‘Moda é o que parece bonito mas se parece feio depois; arte pode ser feio no início mas se torna bonito depois.’

Steve sempre era inspirado em fazer coisas que ficassem bonitas depois.

Ele queria não ser compreendido, em início.

Não tendo sido convidado para o jantar, ele dirigiu para a Next onde ele e seu time tranquilamente inventavam a plataforma onde Tim Berners-Lee escreveria o programa que se tornaria a World Wide Web.

Steve era como uma garota se considerarmos o tempo que ele passava pensando em amor. Amor era sua virtude suprema, seu deus entre os deuses. Ele sabia e se preocupava sobre as vidas românticas de todas as pessoas que trabalhavam com ele.

Quando ele encontrava um homem que ele pensasse que mulheres gostariam, ele chamava e perguntava: ‘Você é solteiro? Não quer vir jantar com minha irmã?’

Eu lembro quando ele me telefonou no dia em que conheceu Laurene (n.t. Que se tornou sua esposa): ‘Conheci uma mulher linda e ela é realmente inteligente e tem um cachorro e, sinceramente, vou me casar com ela.’

Quando Reed nasceu (n.t. seu primeiro filho), ele começou a transbordava felicidade. Ele era um pai físico com cada um de seus filhos. Ele ficava de olho nos namorados de Lisa e nas viagens de Erin ou nas roupas curtas e na segurança de Eve perto dos cavalos que ela adorava.

Nenhum de nós que foi até a festa de graduação de Reed nunca se esquecerá dele dançando com Steve numa música lenta.

Seu amor por Laurene o sustentava. Ele acreditava que o amor acontecia o tempo todo, em qualquer lugar. De maneira mais importante, Steve nunca era irônico, nunca era cínico, nunca pessimista. Eu ainda tento, no entanto, aprender com isso.

Steve teve sucesso em uma idade muito nova e ele sentiu que isso o isolou. Muitas das escolhas que ele fez desde que eu o conheci foram voltadas a dissolver o muro que havia ao redor dele. Um garoto de classe média de Los Altos, ele se apaixonou por uma garota de classe média de Nova Jersey. Era importante a ambos (n.t. Ao Steve e a Laurene) criar Lisa, Reed, Erin e Eve como crianças normais. A sua casa não era intimidante com artes ou polidez; de fato, em muitos dos primeiros anos em que eu vi Steve e Laurene juntos, o jantar era servido na grama e, algumas vezes, consistia de apenas um vegetal. Muitos desse único vegetal. Mas apenas um. Brocolis. Na estação. Preparado de maneira simples. Com apenas uma erva correta para cada tipo.

Mesmo como um milionário novo, Steve sempre me buscava no aeroporto. Ele sempre ia para lá com seus jeans.

Quando um membro da família ligava, sua secretária Linetta respondia: “Seu pai está em uma reunião. Gostaria que eu interrompesse?”

Quando Reed insistia em se fantasiar de bruxo nos Halloweens, Steve, Laurene, Erin e Eve iam todos de wiccan.

Uma vez eles embarcaram na remodelagem da cozinha; isso tomou anos. Eles cozinhavam na garagem. O prédio da Pixar, em construção desde esse período, finalizou-se em metade do tempo. E era assim para a casa de Palo Alto. Os banheiros se mantiveram os velhos. Mas – e aqui há uma distinção crucial – era uma casa magnífica de se iniciar e Steve viu isso nela.

Não é que ele não gostasse do seu sucesso: ele gostava muito do sucesso mas apenas com uns zeros à menos. Ele me disse que adorava ir até uma loja de bicicletas em Palo Alto e perceber, com muita felicidade, que poderia comprar a melhor bicicleta.

E ele comprava.

Steve era humilde. Ele sempre gostava de se manter aprendendo.

Uma vez ele me disse que se tivesse crescido de maneira diferente talvez tivesse sido matemático. Ele falava com reverência sobre colegas e adorava andar pelo campus da Universidade de Stanford. No último ano de sua vida, ele estudou um livro de pinturas de Mark Rothko, um artista que eu não conhecia até então, pensando no quanto isso poderia inspirar as pessoas se tais pinturas fossem colocadas nas paredes de um futuro campus da Apple.

Steve cultivava caprichos. Que outro CEO conhecia a história do chá inglês e chinês e ainda tinha uma flor preferida de David Austin?

Ele tinha surpresas sempre escondidas em seus bolsos. Eu entendo que Laurene ainda descobrirá essas surpresas – músicas que ele amava, um poema que ele havia colocado em sua escrivaninha – mesmo depois de um casamento extraordinário de 20 anos. Eu falava com ele quase todos os dias mas quando eu abri o The New York Times e vi uma reportagem sobre as patentes da companhia, eu ainda fiquei surpresa e impressionada de ver um desenho de uma escada perfeita.

Com seus quatro filhos, com sua esposa, com todos nós, Steve se divertiu muito.

Ele tinha na felicidade seu maior tesouro.

Então Steve ficou doente e nós vimos sua vida se comprimir em um círculo ainda menor. Antes, ele adorava andar em Paris. Ele descobriu também uma casa de Soba em Kyoto. Ele esquiava graciosamente. Não mais.

Eventualmente, mesmo prazeres simples, como um bom pêssego, não parecia mais tão bom para ele.

Ainda assim, o que mais me impressionava, e o que ele aprendia com sua doença, era o quando ainda havia mesmo com tanto tendo sido tomado dele.

Eu lembro do meu irmão aprendendo a andar novamente, com uma cadeira. Após o transplante de fígado, ona vez ao dia ele se levantava sobre pernas que pareciam muito finas para sustentá-lo com seus braços seguros na cadeira. Ele empurava sua cadeira nos corredores do hospital de Memphis até a enfermaria e então ele se sentada, descansava, se virava e voltava andando novamente. Ele contava seus passos e, a cada dia, tentava caminhar um pouco mais.

Laurene se abaixava e, de joelhos, dizia olhando nos olhos dele:

“Steve, você não pode fazer isso.”. Seus olhos abriam. Seus lábios ficavam pressionados um contra o outro.

Ele tentava. Ele sempre, sempre tentava e sempre com amor no centro dos seus esforços. Ele era um homem intensamente emocional.

Eu percebi isso durando o tempo assustador em que Steve não aguentava a dor. Ele tinha alguns objetivos (n.t. que o faziam perseverar na luta contra o câncer): a graduação de Reed, a viagem de Erin para Kyoto, o lançamento do barco que ele estava construindo e no qual ele planejava levar sua família para uma viagem ao redor do mundo e onde ele tinha a esperança de se aposentar com Laurene algum dia.

Mesmo doente, seu gosto, seu discernimento e julgamento se mantiveram. Ele trocou 67 vezes de enfermeira até encontrar almas que ele gostasse e assim ele confiava completamente nos três que se mantiveram com ele até o fim: Tracy, Arturu e Elham.

Uma vez quando Steve contraiu uma pneumonia o seu doutor o proibiu de tudo – mesmo gelo. Nós estávamos em uma UTI padrão. Steve, que normalmente odiava cortar fila ou mesmo se prevalecer de quem ele era, confessou naquela ocasião que ele gostaria de ser tratado de maneira um pouco mais especial.

Eu disse a ele: “Steve, esse é um tratamento especial.”

Ele se curvou até mim e disse: “Eu queria que fosse um pouquinho mais especial.”

Entubado, quando ele não podia falar, ele pediu um caderno. Ele desenhou um dispositivo para poder segurar um iPad no hospital. Ele desenhou também novos monitores de fluídos e um equipamento de raios-x. Ele redesenhou aquela unidade hospitalar não especial toda. E a cada vez que sua esposa entrava no quarto, ele percebia que um sorriso se formava novamente em sua face.

Para as coisas grandes, você tem de acreditar em mim, ele escrevia em seu caderno. Ele olhava para mim. E você tinha que olhar para ele.

Com aquilo, ele queria dizer que nós deveríamos desobedecer os doutores e dar a ele um pedaço de gelo.

Nenhum de nós sabe realmente ao certo quanto tempo ficaremos por aqui. Nos dias em que Steve estava melhor, mesmo no ano passado, ele embarcava em projetos e promessas de seus amigos na Apple para que terminasse tal projeto. Uns construtores de barcos na Holanda tinham um casco de aço inoxidável pronto para ser coberto com madeira. Suas três continuam solteiras, sendo as duas mais novas ainda garotas, e ele queria andar comigo no dia do meu casamento.

Todos nós, no final, morremos no meio de estórias. De muitas estórias.

Eu suponho que não seja supresa a morte de alguém que viveu com câncer por tantos anos, mas a morte de Steve foi inexperada para nós.

O que eu aprendi com a morte do meu irmão foi que o caráter é essencial: o que ele era, era como ele morreu.

Na terça de manhça ele me ligou pedindo que eu corresse para a casa dele. Seu tom era afetuoso, amável, mas como alguém cuja bagagem já estava sendo levada para outro local, de quem estava já dando início a sua jornada final e mesmo de alguém que estava sentindo, sentindo muito mesmo, por estar nos deixando.

Ele começou a dar o seu adeus e eu parei. Eu disse: “Espere, eu estou indo para ai. Já estou no taxi para o aerporto. Eu estarei ai.”

“Eu estou dizendo isso tudo pois estou com medo de você não chegar aqui a tempo, minha querida.”

Quando eu cheguei em sua casa ele estava com Laurene, rindo juntos como parceiros que viveram e trabalharam juntos cada dia de suas vidas. Ele olhava nos olhos de seus filhos como se não pudesse deixar de vê-los.

Até duas da tarde, sua esposa podia despertá-lo para falar com algum amigo da Apple.

Então, após um tempo, estava claro que ele não iria mais despertar.

Sua respiração mudou. Ela se tornou severa, deliberada, propositada. Eu podia sentí-lo contando seus passos novamente, tentando mais e mais que antes.

Isso é o que eu aprendi: ele estava trabalhando isso, também.  A morte não aconteceu para Steve, ele a conquistou.

Ele me disse, quando estava dando o adeus e me contando o quanto ele sentia que não poderia ficar velho juno comigo como ele sempre planejou e que ele estaria indo para um lugar melhor.

O Dr. Fischer nos deu 50% de chances dele não passar daquela noite.

Mas ele se segurou a noite, com Laurene ao lado dele na cama em que, de vez em quando, ela se levantava, assustada quando havia uma longa pausa entre suas respirações. Ela e ele se olhavam e então ele dava uma respirada profunda e começava novamente.

Isso tinha de ser feito. Mesmo agora, ele tinha um perfil severo, bonito, o perfil absolutista, um romântico. Sua respiração indicava sua jornada arduosa, um caminho longo, para a altitude.

Ele parecia estar escalando.

Mesmo com essa vontade, o seu trabalho ético, a sua força, havia algo mais doce na capacidade de Steve de se maravilhar, com a sua crença no ideal, o mais bonito após um tempo.

As palavras finais de Steve, horas antes, foram monossílabos, repetivos três vezes.

Antes de embarcar, ele olhou para sua irmã Patty, então olhou longamente para seus filhos, então para sua parceira de vida, Laurene, e então olhou para longe, por cima dos ombros deles.

As palavras finais de Steve foram:

OH WOW. OH WOW. OH WOW.”

(n.t. OH WOW é um sinal de admiração. Ele estava se admirando das coisas mais importantes de sua vida, sua família).

Fonte: http://www.blogdoandroid.com

Segue o link do Blog do Android onde está essa matéria.

 

 

 

http://info.abril.com.br

O  cofundador da Apple, Steve Jobs, morreu nesta quarta-feira, dia 5, na Califórnia.  A informação foi confirmada pela Apple que publicou uma homenagem a seu principal executivo no site Apple.com. Jobs tinha 56 anos.

Não há informação oficial sobre a razão da morte de Steve Jobs. Nas últimas semanas, no entanto, Jobs foi fotografado ao menos duas vezes com aparência muito debilitada. O executivo sofria de câncer e renunciou ao cargo de CEO da companhia há pouco mais de um mês.

Em breve comunicado no site oficial, a empresa que Jobs ajudou a criar diz que “a Apple perdeu um gênio criativo e visionário, e o mundo perdeu um ser-humano incrível. Aqueles que tiveram a sorte de trabalhar com Steve perderam um querido amigo e mentor. Steve deixou para trás uma companhia que só ele poderia ter construído e seu espírito será sempre a base da Apple”.

http://info.abril.com.br

Steve Jobs abandonou esta quarta-feira o cargo de chefe executivo da Apple, segundo confirmou a própria empresa em comunicado. Numa carta enviada ao Conselho de Administração da Apple, o co-fundador da empresa não revela o motivo exacto da sua saída, mas confessa que «chegou o dia».

«Eu sempre disse que se alguma vez chegasse o dia em que não pudesse mais cumprir os meus deveres e expectativas como CEO da Apple, seria o primeiro a informar-vos. Infelizmente, o dia chegou», escreveu na carta dirigida ao Conselho de Administração da empresa e à comunidade da Apple.

Steve Jobs vai continuar como presidente do Conselho de Administração, director e funcionário da Apple. O cargo de CEO será ocupado por Tim Cook, segundo o próprio Jobs recomendou no documento que enviou à empresa. Cook ocupa o cargo de CEO desde Janeiro de 2011 quando Jobs entrou mais uma vez de baixa médica. Desde então que o estado de saúde do criador do iPhone não é conhecido.

Steve Jobs foi diagnosticado em 2004 com um cancro do pâncreas, o que o levou a afastar-se da Apple várias vezes. Apesar da luta contra a doença, o visionário da tecnologia conseguiu sempre regressar ao trabalho.

O guru de 55 anos revela-se confiante na sua carta de despedida de CEO. «Eu acredito que os dias mais brilhantes e inovadores da Apple ainda estão para vir. Eu espero ver e contribuir para esse sucesso numa nova função».

Apesar do optimismo de Jobs, o anúncio da sua saída levou já uma queda de sete pontos nas acções da empresa.

Por fim, Jobs deixa ainda uma palavra aos amigos. «Fiz alguns dos melhores amigos da minha vida na Apple e agradeço a todos os muitos anos de trabalho ao vosso lado».

www.agenciafinanceira.iol.pt

Faz um tempo já, mas vale apena assistir!!!

Transcrição completa (e traduzida) do discurso!

Parte 1

Parte 2

Você tem que encontrar o que você ama

Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.

A primeira história é sobre ligar os pontos.

Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais 18 meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei? Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina.

Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: “Apareceu um garoto. Vocês o querem?” Eles disseram: “É claro.”

Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade. E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de seis meses, eu não podia ver valor naquilo.

Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu, gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria ok.

Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes. Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo.

Muito do que descobri naquela época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço. Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.

Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse.

Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.

De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.

Minha segunda história é sobre amor e perda.

Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação — o Macintosh — e eu tinha 30 anos.

E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses.

Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício].

Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo. Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa.

A Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple.

E Lorene e eu temos uma família maravilhosa. Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple.

Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama.

Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz.

Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.

Minha terceira história é sobre morte.

Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último.” Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.

Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo — expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar — caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração.

Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas.

Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de três a seis semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas — que é o código dos médicos para “preparar para morrer”. Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus.

Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem.

Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá.

Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.

O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém.

Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas.

Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior.

E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.

Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid.

Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes de o Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês.

Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras:

“Continue com fome, continue bobo.”

Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos.

Obrigado.
Fonte: macmagazine.com.br

 

 

Steve Jobs

A editora Simon & Schuster anunciou, no último domingo (10/04), que vai lançar uma biografia completa de Steve Jobs em 2012. O livro será o primeiro sobre a vida do co-fundador da Apple, autorizado por ele mesmo.

De acordo com a Associeted Press, The Book of Jobs (O Livro de Jobs, em tradução livre para o português) será escrito por Walter Isaacson, antigo CEO da CNN, editor da revista Time e autor de biografias consagradas sobre Benjamin Franklin e Albert Einstein.

A biografia está sendo escrita desde 2009. O autor já entrevistou familiares, colegas de trabalho e rivais para escrever o The Book of Jobs.

Fonte e mais informações em: http://olhardigital.uol.com.br